Para quem era fã e se sentia órfão de InuYasha, dificilmente poderia existir novidade melhor.
Mao é a nova série de Rumiko Takahashi, autora responsável por clássicos como Urusei Yatsura, Ranma ½ e Kyoukai no Rinne. E logo nesses dois primeiros episódios, já fica claro que ela está trabalhando em um terreno bastante familiar — e isso não é necessariamente um problema.
A história acompanha Nanoka, que sobreviveu a um grave acidente na infância e, aos 15 anos, descobre que pode viajar no tempo até a era Taisho, mais especificamente o ano de 1923. É nesse cenário que ela conhece Mao, um onmyouji misterioso, e seu assistente Otoya. A sensação de familiaridade é imediata: Mao carrega traços que lembram diretamente protagonistas clássicos da autora, incluindo o cabelo parcialmente branco e o uso de uma espada.
Mas a história não vive apenas de semelhanças. Mao busca por Byoki, a entidade responsável por sua maldição — um gato que sobreviveu a um ritual de kodoku. Esse elemento, já conhecido por fãs de InuYasha e do folclore japonês, envolve a sobrevivência de criaturas venenosas em um recipiente, onde o último sobrevivente se torna uma arma poderosa. É um conceito reaproveitado, mas que ainda funciona bem dentro da proposta.
O primeiro episódio cumpre bem seu papel ao apresentar o mundo, os personagens e o conflito central. Já o segundo acelera o ritmo ao trazer um confronto direto contra uma youkai aranha, responsável por decapitar suas vítimas. É nesse momento que a dinâmica entre Mao e Nanoka começa a ganhar forma — e também onde surge um dos pontos mais interessantes até aqui.
No final do episódio, Nanoka empunha a espada de Mao, algo que deveria ser impossível. A reação dele deixa claro que há algo diferente nela. E, ao contrário de Kagome em InuYasha, Nanoka parece ter um papel mais ativo em combate desde o início, o que pode trazer uma dinâmica diferente para a história.
Visualmente, o anime mantém o estilo característico de Rumiko Takahashi. É bonito, consistente e imediatamente reconhecível. A trilha sonora também merece destaque, especialmente por ajudar a construir a ambientação da era Taisho, funcionando bem sem roubar a cena.
No fim, Mao entrega exatamente o que promete nesses primeiros episódios:
uma história envolvente, familiar, mas com espaço para construir sua própria identidade.
Para fãs da autora, é praticamente obrigatório.
💬 Nota: 7,5/10


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