O início do fim de Dr. Stone começou exatamente como se esperava: grande, ambicioso e já mirando diretamente no objetivo final — a Lua.
Os dois primeiros episódios de Science Future Part 3 colocam rapidamente as peças em movimento. Após serem trazidos de volta por uma Suika mais velha, Senku e Xeno finalmente deixam de ser rivais para se tornarem aliados. É uma virada importante na narrativa, não apenas pelo peso simbólico desse encontro, mas principalmente pelo que ele representa: a união das duas maiores mentes científicas da série em prol de um único objetivo.
A missão agora é clara — construir um foguete. E, como já virou padrão na obra, isso significa dividir tarefas em uma escala global. Enquanto Senku e seu grupo partem em direção à Espanha em busca de um mineral essencial, Xeno permanece responsável pelo desenvolvimento do motor. Essa divisão ajuda a dar dinamismo à história e reforça o quanto o projeto ultrapassa qualquer conquista anterior da série.
O primeiro episódio encerra com um dos momentos mais intrigantes dessa fase: o contato do Why Man. A mensagem em código morse, decifrada por Chrome, questionando se eles “querem morrer”, adiciona uma camada de tensão e mistério que reposiciona o verdadeiro antagonista da obra. É um gancho simples, mas extremamente eficaz.
Já o segundo episódio aposta mais na ação e na demonstração de escala. O teste do motor de foguete, com Senku disparando um míssil para desobstruir o estreito, evidencia o quanto a narrativa evoluiu desde os tempos mais rudimentares da reconstrução científica. A partir desse ponto, o plano segue para a Índia, onde o grupo pretende recrutar um especialista em matemática — mais uma peça essencial nesse quebra-cabeça tecnológico.
Apesar da qualidade se manter estável, há um ponto que começa a incomodar e que já vem sendo percebido há algum tempo: a forma como as construções são apresentadas. No início de Dr. Stone, cada invenção era um processo. O espectador acompanhava etapa por etapa, entendia os desafios e celebrava cada conquista. Agora, muitas dessas criações simplesmente surgem prontas após uma explicação de Senku.
É uma escolha compreensível. A história chegou a um estágio em que precisa avançar com mais rapidez, e detalhar cada construção tornaria o ritmo inviável. Ainda assim, essa mudança acaba tirando um pouco do brilho do que sempre foi o grande diferencial da obra: o prazer de acompanhar a ciência sendo construída diante dos nossos olhos.
Mesmo com esse detalhe, o saldo é positivo. Os episódios entregam um começo sólido, com bons momentos, avanço narrativo consistente e a promessa de uma jornada final grandiosa.
No fim, Dr. Stone segue firme no que se propõe — agora em escala global… e, em breve, espacial.
💬 Nota: 7,5/10


0 Comentários