A nova versão de Hokuto no Ken segue avançando rápido — rápido até demais.
Nos episódios 3 e 4, continuamos acompanhando a jornada de Kenshiro, agora enfrentando membros da gangue de King. O protagonista segue sendo retratado como uma força implacável, eliminando seus oponentes com facilidade, mas sempre mantendo aquele traço clássico de compaixão que define seu caráter.
É nesse ponto que a história dá um passo importante: a introdução de Shin.
O anime não perde tempo e já apresenta a cidade dominada por ele, onde governa ao lado de Yuria — antiga noiva de Kenshiro. A relação entre os três é rapidamente explicada através de flashbacks, mostrando que Shin e Kenshiro foram treinados pelo mesmo mestre, cada um dominando uma arte marcial distinta, mas complementar: o Hokuto Shin Ken e o Nanto Sei Ken.
Também é revelado o momento decisivo do passado: Shin derrota Kenshiro, marca seu peito com as famosas cicatrizes e leva Yuria consigo. Esse evento define completamente a jornada do protagonista. Mais do que um herói errante, Kenshiro é movido por vingança e pelo desejo de resgatar sua amada — algo que ele próprio reconhece como a fonte de sua força.
O problema é como tudo isso é apresentado.
O anime simplesmente não respira. Informações importantes, relações e motivações são entregues em sequência, sem dar espaço para o espectador absorver o peso desses acontecimentos. O confronto com membros da gangue de King, por exemplo, acontece e se resolve dentro do mesmo episódio, sem qualquer construção mais aprofundada.
E aqui entra uma curiosidade importante que evidencia bem essa diferença de ritmo:
👉 no anime original de 1984, essa mesma revelação envolvendo Shin e Yuria só acontece por volta do episódio 22.
Ou seja, o que antes era construído ao longo de mais de 20 episódios, aqui é entregue praticamente de imediato.
Essa velocidade já era esperada dentro da proposta do remake, mas começa a cobrar seu preço. Falta tempo para desenvolver melhor os personagens e, principalmente, para construir o impacto emocional da história.
E claro, o ponto que continua incomodando: o uso do 3D.
Apesar de funcional em algumas cenas de ação, ele ainda cria uma barreira visual que impede o anime de atingir o mesmo impacto bruto e marcante do clássico em 2D. Em uma obra tão dependente de peso visual e expressividade, essa escolha segue sendo um problema.
No fim, o anime continua eficiente em contar a história — mas não em fazê-la ser sentida.
💬 Um avanço importante na trama, mas ainda superficial.
%20-%2004%20%5B1080p%20AMZN%20WEB-DL%20AVC%20EAC3%5D%5BMultiSub%5D%5B194A6DBE%5D.mkv_snapshot_20.14.677.jpg)
%20-%2004%20%5B1080p%20AMZN%20WEB-DL%20AVC%20EAC3%5D%5BMultiSub%5D%5B194A6DBE%5D.mkv_snapshot_22.03.880.jpg)
0 Comentários