Os dois primeiros episódios já deixam claro: tem dedo de Hiromu Arakawa aqui. A autora de Fullmetal Alchemist sabe exatamente como fisgar o público — e faz isso de forma quase imediata.
A história gira em torno dos gêmeos Yuru e Asa, separados desde o nascimento por um conceito quase ritualístico de “dia e noite”. Enquanto ele acreditava viver livre, ela era mantida presa — mas tudo fazia parte de um plano maior da vila, que escondia uma verdade muito mais complexa. O conceito da vila isolada, fingindo viver no passado enquanto na realidade está inserida no presente, é um dos pontos mais interessantes desse começo. Funciona bem como quebra de expectativa e ajuda a construir o mistério.
E esse mistério explode rápido. O ataque vindo “do mundo real” muda completamente o eixo da narrativa, trazendo ação intensa e revelações importantes — incluindo a verdadeira Asa mais velha e a introdução dos Tsugai das Sombras. Esses espíritos, que funcionam como entidades de combate e suporte, não são exatamente uma novidade dentro do gênero, mas aqui são bem integrados à narrativa. Quando Yuru desperta os Guardiões da Direita e da Esquerda, o anime já estabelece seu sistema de poder de forma clara e eficiente.
O ritmo é acelerado, talvez até mais do que o ideal, mas ainda assim suficiente para situar o espectador. Não há enrolação: o básico é entregue rápido, e o interesse vem justamente do que ainda não foi explicado.
Visualmente, o anime mantém uma identidade muito forte. O design de personagens é inconfundível — e em alguns momentos até inevitável na comparação. A pequena Gabi, com seu visual loiro, tranças e casaco vermelho, imediatamente remete a Edward Elric. É o tipo de assinatura visual que pode dividir opiniões, mas também reforça a marca da autora.
A ação é bem conduzida, com momentos frenéticos que ajudam a sustentar o impacto desse início. A animação é consistente e não compromete, enquanto a trilha sonora cumpre bem seu papel, ainda que sem um grande destaque imediato.
A trama, por outro lado, caminha por terrenos conhecidos. Espíritos, youkais e entidades guardiãs já são elementos bastante explorados no anime. Mas o diferencial aqui está na execução: a escrita envolvente de Arakawa consegue dar peso e curiosidade ao mundo rapidamente.
No fim, esses dois episódios entregam exatamente o que um começo precisa:
um universo intrigante, personagens com potencial e perguntas suficientes pra te fazer continuar.
💬 Um início promissor — 8/10.


0 Comentários