Depois de um começo já muito sólido, Tongari Boushi no Atelier dá um passo importante nos episódios 3 e 4 — tanto na construção da protagonista quanto no aprofundamento do seu mundo.
No episódio 3, Agathe toma uma decisão que revela bastante de sua personalidade: ela tenta “se livrar” de Coco ao empurrá-la para a provação de aprendiz, uma tarefa que claramente não era adequada para alguém tão inexperiente. A missão exige subir a cordilheira Dada e coletar uma flor rara que cresce apenas no topo.

Qifrey não pretendia enviar Coco tão cedo, mas a situação se desenrola dessa forma — e é aí que o episódio surpreende.
Coco falha, tenta, erra… mas aprende. Ao lembrar dos ensinamentos de sua mãe sobre desenhar em tecidos, ela consegue criar um glifo de vento que a ajuda a alcançar o topo. É um momento que reforça bem o crescimento da personagem, mostrando que sua força não vem de talento bruto, mas da forma como ela conecta conhecimento e experiência.
E claro, o episódio ainda entrega charme com a introdução da “lagarta-pincel”, uma criatura peculiar que rapidamente cria um vínculo com Coco.

Já o episódio 4 muda o tom e amplia o mistério da obra.
Qifrey leva as aprendizes para comprar itens mágicos, mas a situação sai do controle quando Coco reencontra o homem que lhe deu o livro de magia proibida. Ao persegui-lo, o grupo acaba sendo levado para um local desconhecido, elevando a tensão.
Aqui, Agathe ganha ainda mais destaque. Sua irritação deixa de parecer apenas implicância e passa a fazer sentido: ela está cansada de lidar com alguém inexperiente que constantemente coloca todos em risco. É um conflito bem construído, que adiciona profundidade à personagem.
Ao mesmo tempo, fica mais claro que Qifrey também tem seus próprios interesses em Coco — especialmente por sua ligação com os “chapéus com aba”, grupo ligado à magia proibida.

O episódio culmina em um confronto intenso, com as quatro aprendizes enfrentando um enorme dragão enquanto Qifrey tenta alcançá-las a tempo. É um momento que mistura perigo real com desenvolvimento de grupo.
No fim, os dois episódios funcionam como um bom conjunto: O episódio 3 fortalece Coco como protagonista e o episódio 4 expande o mundo e os conflitos
E tudo isso com uma execução técnica impecável. A animação continua sendo um dos grandes destaques da temporada, com direção segura e uma identidade visual extremamente bem definida.
💬 Um avanço excelente — equilibrando emoção, desenvolvimento e mistério.
Nota: 9/10
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